quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Observando pela Janela - Parte 2

 .....Segurei-me à moldura da janela, o papel com os números ainda gravado na minha mente como um segredo proibido. Ele continuava ali, encostado no vidro, os olhos fixos em mim, a expressão carregada de provocação e algo mais — expectativa. Era como se estivesse testando o quanto eu me atreveria.

Voltei para dentro do quarto, mas não consegui afastar os olhos dele. Peguei o celular, sentindo o peso do momento, e digitei os números que ele havia mostrado. Meu dedo pairou sobre o botão de chamada, hesitante. Era um passo ousado, um salto no desconhecido que fazia meu corpo inteiro vibrar de excitação e nervosismo.

Respirei fundo e pressionei o botão.

O toque parecia interminável, cada segundo aumentava a tensão no meu peito. Então, a voz dele soou do outro lado da linha — baixa, rouca, com um tom que parecia envolver cada canto do meu quarto.

— Eu sabia que você ligaria — ele disse, como se não houvesse dúvida de que eu seria corajosa o suficiente.

Minha respiração vacilou, mas o desejo que me tomava era mais forte do que a timidez.

— Você é ousado — respondi, minha voz soando mais firme do que eu esperava. — Mostrando o número assim, para qualquer um que estivesse olhando.

Ele riu, um som profundo e convidativo.

— Não foi para qualquer um. Foi para você.

Meus dedos brincavam com a barra da minha camisola, um movimento nervoso, mas que ao mesmo tempo me lembrava da vulnerabilidade daquele momento.

— E agora que eu liguei? — perguntei, minha voz saindo mais baixa, quase um sussurro.

— Agora? — ele disse, uma pausa cheia de intenção. — Agora você vem aqui.

Minha pele arrepiou. O convite era direto, sem rodeios, e tão tentador quanto perigoso. Olhei novamente pela janela. Ele estava de volta ao sofá, o celular em uma mão enquanto a outra repousava sobre o braço do estofado, os olhos ainda presos em mim.

— E se eu não for? — provoquei, mesmo sentindo que a resposta já estava clara no meu corpo.

Ele inclinou a cabeça, o sorriso se alargando.

— Então ficarei aqui, imaginando como seria você atravessar aquela porta. Mas algo me diz que você não vai me deixar esperando.

Desliguei antes de responder, sem saber se teria coragem de dizer algo mais. Mas minha decisão já estava tomada. Peguei uma jaqueta leve e passei rapidamente pelo espelho, meu reflexo exibindo um rubor que denunciava o turbilhão de emoções dentro de mim.

No corredor, cada passo parecia ecoar como um tambor, a expectativa crescendo a cada segundo. Quando cheguei ao andar dele, hesitei por um instante. A porta estava entreaberta, e uma luz suave escapava por ela, como se ele soubesse que eu viria.

Empurrei a porta com cuidado, o coração disparado. Ele estava lá, de pé no meio da sala, esperando. Seus olhos encontraram os meus, e naquele instante, eu soube que não havia mais volta.

Ele deu um passo à frente, e eu fiz o mesmo.

Ele se aproximou devagar, seus passos firmes ecoando suavemente pelo chão. Cada movimento parecia calculado, carregado de uma sensualidade que fazia o ar entre nós vibrar. Parei no meio da sala, incapaz de desviar o olhar, meu corpo inteiro pulsando de expectativa.

— Você veio — ele disse, a voz baixa e cheia de satisfação.

— Você me chamou — respondi, tentando soar confiante, mas meu tom carregava a vulnerabilidade do momento.

Ele parou a poucos centímetros de mim, perto o suficiente para que eu sentisse o calor que emanava de sua pele. Sua mão se ergueu devagar, os dedos roçando de leve a barra da jaqueta que eu vestia. O gesto era ao mesmo tempo casual e íntimo, uma provocação silenciosa.

— Parece que você gosta de correr riscos — ele murmurou, os olhos presos nos meus.

— E você parece gostar de testá-los — retruquei, surpreendendo a mim mesma com o tom direto.

Ele sorriu, um sorriso lento que fez algo dentro de mim se revirar. Sem desviar o olhar, ele deslizou as mãos pela jaqueta, empurrando-a suavemente para trás, até que ela escorregasse pelos meus ombros e caísse no chão.

— Quero ver você — disse, a voz carregada de desejo.

Meu coração disparou. Não havia pressa em seus movimentos, mas a intensidade no ar entre nós era palpável. Suas mãos subiram até o meu rosto, os dedos roçando minha pele com uma delicadeza inesperada. O contraste entre sua postura confiante e o toque gentil era hipnotizante.

— Você é ainda mais bonita de perto — ele disse, o tom quase um sussurro.

Antes que eu pudesse responder, ele inclinou-se, e seus lábios encontraram os meus. O beijo foi lento no início, exploratório, mas rapidamente se tornou mais intenso, como se ambos tivéssemos esperado por aquele momento por tempo demais. Suas mãos desceram para a minha cintura, puxando-me para mais perto, enquanto os meus dedos subiam por seu peito, sentindo cada contorno sob a pele quente.

O mundo lá fora desapareceu. Não havia mais janela, nem distância. Apenas nós dois, naquela sala, envolvidos por um desejo que não podia ser contido. Seus lábios deixaram os meus para traçar um caminho pelo meu pescoço, arrancando um suspiro involuntário que ecoou no ambiente.

— Eu sabia que você era corajosa — ele murmurou contra minha pele, a voz grave enviando arrepios pelo meu corpo.

— Talvez você não saiba tudo sobre mim — retruquei, sentindo-me tomada por uma confiança nova, alimentada por sua presença.

Ele ergueu o rosto, os olhos brilhando de curiosidade e desejo.

— Então me mostre — desafiou, com aquele sorriso que prometia muito mais.

E naquele instante, decidi que mostraria. Sem reservas, sem hesitações. A noite era nossa, e o resto do mundo podia esperar....

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