....Enquanto o silêncio da madrugada se instalava, senti a calma substituindo a intensidade do momento. Estávamos ali, entrelaçados no sofá pequeno, nossos corpos ainda quentes, mas agora embalados por uma serenidade reconfortante. Olhei para a janela aberta, as cortinas balançando suavemente com o vento, e me peguei sorrindo ao lembrar de como tudo tinha começado.
Ele me puxou para mais perto, os braços firmes ao meu redor, como se quisesse prolongar aquele instante, como se temesse que eu desaparecesse com o amanhecer. Sua respiração contra o meu cabelo era um lembrete silencioso da conexão que havíamos criado, algo mais profundo do que o simples desejo.
— Em que está pensando? — ele perguntou, a voz baixa, mas cheia de curiosidade.
Demorei um segundo antes de responder, ainda perdida na magia daquela noite.
— Em como isso tudo parece irreal — admiti, virando o rosto para encontrá-lo. — E em como você é audacioso. Mostrar seu número assim, sem saber quem poderia estar olhando...
Ele riu suavemente, os olhos brilhando com aquela mesma malícia que havia me atraído desde o início.
— Eu sabia que seria você. Algo naquele momento... eu senti.
Balancei a cabeça, rindo de leve.
— Confiança é uma das suas melhores qualidades, aparentemente.
Ele arqueou uma sobrancelha, um sorriso brincando nos lábios.
— Uma das melhores, mas não a única.
Seu tom provocador me fez corar, mas antes que eu pudesse responder, ele deslizou os dedos pelo meu rosto, traçando a linha da minha mandíbula, me fazendo esquecer qualquer resposta inteligente.
— E você? — ele perguntou, os olhos fixos nos meus. — Foi coragem ou curiosidade que te trouxe até aqui?
Eu pensei na pergunta por um momento, mas no fim, a resposta parecia óbvia.
— Os dois. E talvez algo mais.
Ele sorriu, satisfeito com a resposta, e me puxou para um beijo lento, quase preguiçoso, como se quiséssemos saborear cada segundo antes que a noite acabasse.
Com o passar das horas, nossas conversas fluíram naturalmente, entrelaçadas com toques e risos. Ele era espirituoso, atencioso, e ao mesmo tempo, carregava uma intensidade que fazia tudo parecer mais vivo, mais real. A cada palavra trocada, sentia que a conexão entre nós ia além do físico, como se a noite tivesse sido apenas o início de algo que prometia mais profundidade.
Quando o céu começou a clarear, tingindo o horizonte de tons alaranjados, senti um misto de nostalgia e expectativa. Sabíamos que o amanhecer traria o fim daquela primeira noite, mas também a promessa de novos encontros.
Ele me acompanhou até a porta, os dedos entrelaçados nos meus enquanto o mundo lá fora despertava. Antes que eu saísse, segurou minha mão e perguntou, com aquele sorriso que parecia sempre saber mais do que dizia:
— Vai manter a janela aberta para mim?
Olhei para ele, mordendo o lábio antes de responder:
— Se você prometer fazer valer a pena.
— Promessa fácil de cumprir — ele respondeu, inclinando-se para um último beijo.
E quando desci as escadas e saí para a rua, sentindo a brisa fresca da manhã no rosto, sabia que aquela noite marcava o começo de algo que ainda tinha muito a revelar.
Enquanto caminhava de volta para o meu prédio, o silêncio da manhã parecia amplificar tudo o que eu sentia. A rua estava vazia, exceto pelo canto ocasional de um pássaro e o murmúrio distante de carros ao longe. O vento fresco acariciava minha pele, um contraste bem-vindo ao calor que ainda pulsava dentro de mim, resquício daquela noite intensa e inesperada.
Cheguei ao meu apartamento e me sentei na beira da cama, os olhos fixos na janela. Da minha posição, podia ver o edifício dele, agora mergulhado em uma luz suave do amanhecer. A cortina ainda estava aberta, mas as luzes estavam apagadas. Sorri, lembrando de seu rosto, seu toque, sua confiança desarmante.
Peguei meu celular, rolando os dedos pela tela. O número dele ainda estava salvo no histórico da chamada. Fiquei encarando-o por um momento, sentindo a mistura de ansiedade e empolgação que sempre vem com algo novo.
"Deixo ele entrar em contato primeiro?" pensei, mas a ideia parecia contrariar o espírito de tudo o que havia acontecido. Ele havia desafiado minha hesitação desde o começo; talvez fosse minha vez de ser ousada.
Antes que eu pudesse decidir, uma notificação iluminou a tela. Uma mensagem dele.
"Espero que tenha chegado bem. Você iluminou minha noite. Posso te recompensar por isso com um jantar hoje?"
Meu coração acelerou. Ele era direto, assim como durante toda a noite, mas a suavidade nas palavras me deixou intrigada. Uma proposta para prolongar o que começamos. Algo dentro de mim já sabia a resposta, mas hesitei por um momento, apreciando a sensação de ser cortejada, ainda que de maneira tão natural.
"Cheguei bem. Dizer que iluminou minha noite seria pouco. Que horas?", respondi, deixando minha resposta tão simples e carregada de expectativa quanto a dele.
A resposta veio quase imediatamente:
"Às oito. Vou abrir a porta de novo, mas dessa vez, sem janelas entre nós."
O sorriso que cresceu no meu rosto era inevitável. Fechei os olhos por um momento, lembrando do calor de seus braços e do jeito que ele me olhava, como se o mundo ao redor não existisse. Algo me dizia que o jantar seria apenas o próximo capítulo de uma história que mal havia começado.
Me levantei, esticando o corpo enquanto a luz da manhã invadia meu quarto. O dia estava apenas começando, mas minha mente já estava no que viria à noite. Havia algo irresistível em abrir novas janelas — e portas — para o desconhecido.
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